Há livros que ensinam sobre missões. Este é um livro que nos coloca dentro dela.
Estêvão Júnior (pseudônimo) foi convocado a uma sala sem janelas em um país do Oriente Médio fechado à pregação do evangelho.
Do outro lado da mesa, dois homens sem farda, olhares duros, uma pasta grossa de papéis e uma pergunta:
"Você é um missionário?"
Durante os dez dias que se seguiram em uma cela solitária, Estêvão reviveu dez anos de ministério, amizades improváveis, discipulados conduzidos em árabe, distribuições clandestinas de Bíblias e o preço real — emocional, familiar, físico — de amar Cristo em um lugar onde amá-lo é crime.
10 anos em 10 dias não é uma narrativa de heroísmo.
É o oposto: é o testemunho honesto de um homem comum, com medos, dúvidas éticas e lágrimas, sendo usado por um Deus extraordinário.
É, nas palavras do autor, a confissão de que "a palavra de Deus não está algemada" (2Tm 2.9).
Neste livro, um missionário cristão relata a história real de sua prisão no Oriente Médio, onde seu único "crime" foi anunciar a Cristo. Após dez anos de missão entre os povos árabes, ele foi lançado em dez dias de silêncio, medo e incerteza, quando experimentou o verdadeiro deserto da alma.
Separado da família e confrontado por interrogatórios implacáveis, ele viu sua fé ser testada até o limite.
Sem jamais negar a verdade do evangelho, descobriu que a graça de Deus sustenta seus filhos mesmo nas trevas de um cárcere.
Este não é apenas um relato de perseguição, mas de perseverança, de confiança absoluta naquele que prometeu nunca nos abandonar.
Ao virar estas páginas, o leitor caminhará por terras áridas e sairá transformado, certo de que Deus permanece fiel aos que foram chamados para a sua boa obra.
O que este livro responde
Este livro é escrito para cristãos que já se fizeram — ou evitaram se fazer — estas perguntas:
• O que significa obedecer ao chamado missionário quando o chamado é para um lugar onde o evangelho é proibido por lei?
• Como manter uma identidade cristã sob pressão policial, em um ambiente culturalmente hostil, longe da igreja local?
• Onde está Deus quando o sofrimento vem justamente por causa da obediência?
• Como a família de um missionário vive o chamado — não como espectadores, mas como coparticipantes do preço e da glória?
• O que muda na oração de uma igreja brasileira quando ela começa a entender, de fato, o que os missionários enviados por ela enfrentam?
O que você vai encontrar nestas páginas
Este não é um livro teórico sobre missões. É um relato em primeira pessoa organizado em três movimentos:
Parte 1 — Entre perguntas e respostas
A história do chamado: como Deus prepara um missionário ao longo de anos de formação antes de colocá-lo em campo.
Capítulos sobre a igreja que forma, a vocação que amadurece, a cultura do país chamado "Al-Nuriyah" (nome protegido) e as amizades que se tornam pontes para o evangelho.
Parte 2 — Entre desertos e oásis
O ministério em campo: o discipulado em contexto árabe-muçulmano, a oposição espiritual e institucional, e o papel dos parceiros — a igreja que envia, as famílias que sustentam em oração e os colegas de campo que compartilham o peso.
Parte 3 — Estou preso mas sou livre
Os dez dias na solitária: dia a dia, interrogatório por interrogatório, a batalha interior de um homem que descobre que a liberdade em Cristo não depende do tamanho da cela.
Culmina no retorno ao Brasil e na certeza de que "tudo contribuiu para a glória de Deus".
Recursos adicionais incluídos
• Referências bíblicas pontuadas em cada capítulo (Almeida Revista e Atualizada)
• Notas de rodapé explicativas sobre contexto cultural islâmico e geografia do campo
• Epílogo escrito após o retorno ao Brasil, oferecendo perspectiva teológica sobre os frutos do sofrimento
Por que este livro é diferente
Não é biografia missionária típica
A literatura missionária brasileira oscila frequentemente entre duas tendências igualmente problemáticas: a hagiografia (que apaga as fragilidades do missionário e constrói heróis inatingíveis) e o sensacionalismo (que transforma sofrimento em espetáculo). 10 anos em 10 dias rejeita ambos.
É um relato teologicamente sóbrio, escrito por alguém ainda em campo
Como observa o Rev. Hermisten Costa no endosso, o livro "edifica, consola e desperta piedade" porque o autor se recusa a ser o centro da história. O foco é sempre o agir de Deus — mesmo quando o relato é dolorosamente pessoal.
É uma obra reformada em conteúdo, não apenas em rótulo
A teologia da providência, a centralidade do evangelho, a eclesiologia da igreja local como base do envio missionário, a doutrina bíblica do sofrimento como instrumento de santificação — tudo isso não é enxertado artificialmente no texto. É a lente pela qual o autor vê a própria história e interpreta os fatos que narra.
É urgente
A igreja brasileira é, hoje, uma das maiores enviadoras de missionários do mundo. Mas envia, em muitos casos, sem compreender o que envia — para onde, para quem, sob que condições. Este livro é uma das contribuições mais lúcidas já produzidas em português para fechar essa lacuna.