Prefácio
É muito difícil escrever sobre João Calvino. Pelo menos por três motivos: o grande volume de obras que ele produziu, a complexidade e amplitude de seu pensamento e o grande contingente de escritores que têm discorrido sobre ele. Tenho tido uma vasta experiência proveniente da longa vivência
com este misterioso personagem. Quanto mais vivo com ele, mais me sinto perplexo ante o fato de que ele viveu tão pouco e exerceu, numa época de poucos recursos tecnológicos, um imenso ministério literário, social, administrativo, pedagógico e, particularmente, teológico. Tudo o que tenho escrito, lido e traduzido sobre Calvino me faz sentir como um nadador em alto-mar: quanto mais nada,
mais distante se sente da praia; parece que nunca chega. Digo isto porque, ao ler os originais de Sou Eu, Calvino, de Elben M. Lenz César, as informações recebidas foram tantas, e com tanta
exatidão, que era como se eu nunca houvesse lido nada sobre o que João Calvino escreveu. Se eu estivesse me programando escrever um livro sobre ele, certamente desistiria da façanha depois de acompanhar o autor deste livro em sua tão minuciosa e bela apresentação do grande reformador genebrino na forma de diálogo. Nestes últimos anos, parece que as mentes cristãs do universo
literário voltaram-se para João Calvino. Poucos livros foram escritos sobre ele até a última década do século passado. Já li quase tudo o que foi escrito sobre ele no vernáculo, mas sinceramente dou boas-vindas ao livro que ora prefacio, dando graças ao Senhor da Igreja pela vida e ministério de Elben César. Que o leitor tire a limpo pessoalmente, lendo com reflexão e
oração, estas páginas que certamente irão fasciná-lo. Eis um livro digno de ser lido e relido por todos!
Valter Graciano Martins
Goiânia, 10 de junho de 2014